Total de visualizações de página

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Incerteza


Você, antes tão doce,
Foi-se amargando, não tinha notado
Agora eu vivo provando
Teu novo sabor doceamargo.
Não te reconheço mais em suas roupas
Ou no seu corte de cabelo
As suas atitudes já não são tão suas
A sua marca não é mais seu selo.
Não reconheço mais os teus olhos
outrora em mim, e agora distantes
já não te vejo nem mesmo em seu corpo:
você não é mais o mesmo de antes.
Eu me perdi nos teus passos errantes,
eu que entrei no teu labirinto,
que me entreguei ao seu desejo,
me sinto vítima do seu instinto.
E nesse jogo de mal-me-quer
o bem-me-quer me abandonou
fiquei entre o não sei e o não quero:
Não sei se ainda me quer
Não quero saber se acabou.
Só sei que minha paz foi embora,
até os meus versos mudaram de cor
Perderam a vida,
Perderam a graça,
Perderam a rima:
Nenhuma palavra combina
Com a desordem que você causou.
Agora numa folha em branco
remendo frases retalhadas
e cada verdade molhada
por lágrimas desse amor incerto
se refazem doloridas
mas sem ter destino certo:
podem ser de novo suas
se encontrarem o caminho de volta
se não, como você, elas mudam,
vão entrar em outra porta
aberta,
mais certa,
repleta,
de alguém que não as retalhe.





segunda-feira, 15 de abril de 2013

Luxúria


Eu quero invadir o teu espaço,
sentir que há um fio, há um laço
de desejo entre nós.
Eu quero sentir teu ardor,
sentir o seu toque, os seus dedos,
derivando suavemente, sem medo
pelo meu corpo quase despido:
quero sentir teu calor,
a tua boca em meu ouvido,
dizendo um verso atrevido
vestindo uma malícia aprazível:
que faz sentir arrepio,
que faz nascer um suspiro.
Quero teus lábios nos meus
e poder rasgar tua roupa
te envolver e, feito louca,
te amar entre os lençóis
da minha cama de solteiro
dar prazer, te ter inteiro
sentir você dentro de mim.
Te quero em cada comodo
da minha casa bagunçada
quero suas costas arranhadas
pelas minhas unhas de carmim.
Depois olhar bem fundo
nos seus olhos, por ora, exaustos,
porém ainda não saciados,
cheios de enorme libido,
e notar um desfecho pesado:
juntos nós somos pecado
um misto de perversão e vício
que para perder os limites
qualquer diminuto indício
se faz inegável convite:
e o final se refaz em começo,
recomeço, prazer infinito.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Mais que quase-amor


De repente,
sem prévio aviso,
meu coração indeciso
decidiu se render a você.
Seu latejo não mais inseguro
Ganhou uma nova cadência
despiu-se até da decência,
virou um batuque clichê:
basta um encontro de olhares
e ele já perde o compasso,
desculpe o meu embaraço,
desculpe ser tão démodé.
Seu abraço, antes amigo,
foi virando minha rotina
e agora que me domina
não posso mais me conter:
você me roubou de mim
se fez meu novo reduto
já não questiono, não luto,
não peço e também não exijo
mais nada, além de seu colo
pleno, calmo esconderijo,
sempre a me proteger.
Sei, não é só um caso
é forte, intenso, inteiro
não foi obra do acaso
nem tampouco é passageiro;
não é simplesmente paixão,
vai além de um quase-amor:
é um amor-amigo
amor-amor
amor-abrigo
e quero sempre contigo
amar, AMOR, e viver.